domingo, 18 de setembro de 2011

Desculpem, mas não tenho notícia melhor para postar - Ex-torturador.......


Matéria reproduzida do blog Pragmatismo político
Ex-torturador espanta o Brasil com relato sobre mortes e torturas na ditadura

Advogado choca o Brasil com depoimento sobre torturas e mortes das quais ele próprio participou. Ele revelou ter presenciado de 10 a 15 execuções e participado de operações que resultaram na prisão de Dilma Rousseff

Lucena relata detalhes da prisão de Dilma e outros casos
O advogado João Lucena Leal, radicado em Rondônia há trinta anos, chocou o Brasil, em rede nacional de televisão, com um depoimento frio sobre mortes e torturas durante o regime militar. Ele também revelou detalhes das operações de que participou para prender a hoje presidente da República, Dilma Rousseff, e o então estudante José Genoíno, que viria a ser presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e atualmente é assessor do Ministério da Defesa. Segundo Lucena, Genoíno não precisou ser torturado. “Fez um acordo com o Exército e entregou, delatou todos os seus companheiros”, disse.

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Lucena falou ao jornalista Roberto Cabrini, do programa Conexão Repórter, do SBT. Cabrini veio a Porto Velho para entrevistar aquele que é considerado um dos maiores torturadores ainda vivos do tempo da repressão no Brasil .

Agente da repressão a serviço dos militares que tomaram o poder no País com o golpe de março de 1964, João Lucena Leal foi descrito como o típico homem dos porões da ditadura.

Na entrevista, Lucena descreveu, com tranqüilidade e frieza, o que viu e o que fez com os adversários políticos do regime. "O sujetio amarrado, algemado e o executor puxava o gatilho e matava", disse ele ao narrar uma das cenas entre as inúmeras das quais presenciou e participou.

Tortura justificada

Para Lucena, a tortura se justifica "para extrair uma informação ardente". Fazia parte de seu trabalho extrair tais informações dos ativistas políticos. "Eu executava com nobreza", acrescentou.

Ex-delegado da Polícia Federal, Lucena também é descrito como um torturador profissional. A Ronberto Cabrini, ele relatou torturas, prisões e mortes das quais diz ter participado.

Mesmo acusado de cometer atrocidades, Lucena disse estar orgulhoso de tudo o que fez.

Com a saúde severamente abalada após um ataque cardíaco e acusado de ser um torturador impiedoso, mesmo assim o homem da repressão diz ter a consciência e um sono tranqüilos.

Na entrevista, informou ter apenas um remorso. Foi quando viu o corpo de uma moça de 17 anos morta pelos militares. "Peguei no corpo dela e ainda estava quente. A moça não tinha ideologia nenhuma".

Em Rondônia, Lucena ficou rico como advogado de traficantes e de notórios assassinos, como o fazendeiro Darli Alves, que matou a tiros, no Acre, o líder seringueiro Chico Mendes.

Ao falar sobre o que considera tortura, Lucena disse que "é um ato de violência contra o próprio irmão", e acrescenbtou :” a tortura é praticada em larga escala nas polícias militar e civil do País”.

Mostrando profundo conhecimento no assunto, o advogado disse que, na sua época, o método mais utilizado era o pau de arara, nas suas palavras , "um instrumento cruel, devastador, que deixa seqüelas. Tem muita gente que não resiste meia hora e conta tudo. Às vezes, é só mostrar o instrumento e ele (a vítima) abre".

As sete vítimas vivas de Lucena

A Cearense, João Lucena Leal estava lotado na Superintendência da Polícia Federal do Ceará quando era agente da repressão. Lá, entre suas incontáveis vítimas, o SBT localizou sete pessoas que dizem ter sido torturadas pelo advogado.

Torturador perverso, segundo testemunhas
O hoje professor José Auri Pinheiro, professor na época, foi torturado barbaramente por dois dias. Ele reconheceu Lucena durante a entrevista a Roberto Cabrini, que lhe mostrou uma foto do advogado quando ainda era mais novo. "O Lucena é um torturador conhecido aqui no Ceará. Em 1973 fui torturado por ele, que é um sujetio explosivo, impulsivo e malvado, que só falava em matar, em destruir as pessoas", contou Auri. Segundo ele, Lucena torturava as vítimas ” com sadismo, com convicção”.

O hoje arquiteto José Tarcísio Prata foi outro que também relatou sua experiência dolorosa nas mãos de João Lucena Leal. ?É um torturador profissional, perverso?, disse.

Viu dez ou quinze execuções e a delação de José Genoíno

Lucena afirmou ter visto de dez a 15 execuções de guerrilheiros do PC do B no Araguaia, entre elas, a morte de uma jovem identificada por ele como Sônia, que foi assassinada pelo hoje major reformado do Exército Sebastião Curió.

No meio da entrevista, João Lucena disse que, no Araguaia, foi preso o então estudante José Genoíno, que viria a ser presidente do Partido dos Trabalhadores e atualmente é assessor do Ministério da Defesa.

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Segundo Lucena, Genoíno não foi torturado e fez um acordo para delatar os companheiros de guerrilha. O major Sebastião Curió confirma a afirmação de Lucena sobre o ex-dirigente petista. "O Genoíno não foi torturado e entregou todo mundo".

A prisão de Dilma

Tanto Curió quanto Lucena participaram das investigações e prisão da hoje presidente Dilma Rousseff, então militante política. "Ela (Dilma) era uma menina de 17 ou 18 anos de idade que foi presa e levada para a Operação Bandeirantes e entregue ao delegado Fleury (Sérgio Paranhos Fleury, notório torturador".

domingo, 11 de setembro de 2011

Jean Charles, uma vítima inocente


E se fosse o meu filho, e se fosse o seu filho, e se fosse o filho de um rico banqueiro brasileiro, ou do dono de uma grande empresa de comunicação, ou....ou...se...se.....




Mas Jean Charles era apenas um "Zé Ninguém", um brasileiro anônimo, um filho da classe operária brasileira, um jovem que partiu do seu país em busca de uma vida mais digna, em busca de melhores condições de trabalho para sustentar a sua família. Não conheci Jean Charles, você não conheceu Jean Charles, nem o cineasta que fez o filme sobre o mesmo, conhecia Jean Charles. Não importa o que Jean Charles tenha feito para conseguir sobreviver na Inglaterra. Importa apenas que ele foi assassinado pela polícia inglesa, injustamente, brutalmente assassinado. E isso não tem pedido de desculpas nem dinheiro que compense. A família de Jean Charles ficou sem ele para sempre e o seu nome não consta de nenhum memorial de vitimas inocentes da guerra contra o terror. A sociedade brasileira parece ter pouco se indignado com esse acontecimento e isso só tem explicação no fato de Jean Charles, apesar do nome estrangeiro, ter sido apenas um menino como outro qualquer do interior do Brasil. Nesse 11 de setembro de 2011, 10 anos após os atentados terroristas ao World Trade Center, quero lembrar todos os que morreram vitimas daquela ação insana, entre outras, e suas famílias. Mas quero lembrar também todos os que pereceram em função de outros atos terroristas como os da Espanha e os de Londres, além daqueles que pereceram em função das guerras sujas iniciadas com o pretexto do combate ao terrorismo, como as do Afeganistão e do Iraque. Dizem que os atentados do 11 de setembro de 2011 nos Estados Unidos mudou o mundo. Não sei bem se isso é verdade. O que sei é que, se nós, os ocidentais, não aprendemos com essa lição horrorosa, não sei  que herança estaremos deixando para os nossos descendentes. 


"Jean Charles de Menezes (Gonzaga, Minas Gerais, 7 de janeiro de 1978 - Londres, 22 de julho de 2005) foi um brasileiro que ficou conhecido após ser morto por engano pela SO19, unidade armada da Scotland Yard dentro de um trem do metrô de Londres. Os policiais supostamente o confundiram com Hamdi Adus Isaac (ou "Hussain Osman") suspeito de tentar fazer um fracassado atentado a bomba no metrô, na véspera . Esses fatos ocorreram duas semanas após os atentados de 7 de julho, quando uma série de explosões atingiu o sistema de transporte público de Londres, e 56 pessoas morreram".


"Jean Charles vivia há três anos no sul da capital inglesa e, segundo as autoridades, foi confundido com um terrorista árabe, que teria participado dos atentados da véspera, contra ônibus e estações do metrô de Londres. O erro foi admitido pela Scotland Yard, quando informou que o brasileiro não tinha nenhuma relação com qualquer grupo terrorista. Segundo a autoridade policial, o acidente ocorreu porque o brasileiro se recusara a obedecer às ordens de parar, dadas pelas autoridades.
No entanto, a Comissão Independente de Investigação de Queixas da Polícia (CIIQ, em inglês) concluiu que Ian Blair, chefe da Scotland Yard, tentou impedir que a morte de Jean Charles fosse investigada.
O jornal britânico The Observer, em sua edição do 21 de agosto de 2005, revelou que os três agentes que vigiavam Jean Charles não estavam armados nem uniformizados e não o consideravam suspeito de portar armas ou bombas. Só tinham a intenção de detê-lo. No entanto, esses homens tinham ordens de ceder o controle da operação a grupos especiais das forças armadas (SAS), caso estes interviessem. Os militares consideraram Jean Charles uma grave ameaça e seguiram seu modus-operandi - atirando para matar.
Alex Pereira, primo de Menezes que morava com ele, afirmou que o rapaz foi baleado pelas costas.
Segundo a Agência Brasil, o Ministério das Relações Exteriores publicou uma nota oficial na qual afirma que o governo brasileiro ficou "chocado e perplexo" ao tomar conhecimento da morte do brasileiro, "aparentemente vítima de lamentável erro".
Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que "o Brasil sempre condenou todas as formas de terrorismo e mostrou-se disposto a contribuir para a erradicação desse flagelo dentro das normas internacionais", e que aguarda explicações das autoridades britânicas sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles.
Em 16 de novembro, o jornal Daily Telegraph publicou uma reportagem acusando a polícia britânica de utilizar munição de ponta oca, conhecida como dundum, para matar Jean Charles. O armamento foi proibido pela Convenção de Haia de 1899, por motivos humanitários (o projétil se expande e se estilhaça dentro do corpo do indivíduo atingido, criando grande estrago e provocando dores lancinantes, o que normalmente não acontece com uma bala comum).
Jean Charles Menezes nasceu em 7 de janeiro de 19787, em Gonzaga, Minas Gerais. Cresceu numa área rural, a 300 km de Belo Horizonte. Depois da descoberta de um talento precoce para a Eletrônica, ele deixou a fazenda, aos catorze anos, para morar com seu tio em São Paulo e prosseguir seus estudos. Aos 19 anos recebeu um diploma técnico da Escola Estadual São Sebastião. Entrou no Reino Unido, em 2002, com um visto estudantil, e com apenas quatro meses na Inglaterra já tinha um bom domínio do inglês e trabalhava para mandar dinheiro para a família.
A polícia alegou que seu visto havia vencido quando foi morto - o que foi desmentido por seu primo".

                                                                             
Informações originalmente publicadas no site da Wikipedia 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Brasil a ir"



Recebi esta matéria via email, enviada por um amigo português. A original foi publicada no Jornal português Expresso, em 13 de agosto de 2011, cuja versão digital você pode acessar aqui. Achei bastante interessante e por isto a reproduzo neste blog. Trata da questão da volta dos brasileiros ao Brasil em função dos bons fluidos econômicos porque passa o país e em função da grave crise econômica porque passa a Europa, mais especificamente, Portugal. Trata também e, consequentemente, de questões que envolvem preconceitos contra imigrantes.
Passei 10 meses na cidade do Porto em Portugal, fazendo a primeira parte do meu Curso de Doutorado. Convivi com muitos portugueses e, se é certo que são mais fechados e aparentemente mais "carrancudos" do que nós, é certo também que, por trás dessa suposta carranca, são pessoas generosas e hospitaleiras. Penso que qualquer opinião sobre o relacionamento social entre portugueses e brasileiros em solo português, depende muito dos espaços de convivência onde essas relações se dão. A maioria das pessoas com quem convivi era da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, uma faculdade que aglutina, reconhecidamente, profissionais mais progressistas e mais conscientes das mazelas da humanidade, consequentemente, mais acessíveis, mais abertos ao novo, ao diferente. 
Por outro lado, algumas situações vividas nas ruas, em lugares como bares, cafés, lojas, pontos turísticos, deixavam-me, por vezes, sem entender se determinada forma de ser atendida, com mais rispidez em algumas situações, tinha a ver com o fato de ser brasileira ou se assim ocorria com qualquer um que acessasse aquele local naquele momento e fosse recebido por aquela pessoa especificamente, mesmo sendo portugueses. Penso que está mais para esta segunda opção, até porque, os casos de preconceito a brasileiros que me chegavam aos ouvidos, era, em sua maioria, vivenciado por pessoas de baixa renda, que estavam em Portugal  trabalhando ou em busca de um trabalho para sobreviver. Como pessoa ligada a uma Universidade, vivendo em uma casa de estudantes que só recebia pós-graduados, nunca senti qualquer preconceito pelo fato de ser brasileira. Pelo contrário, brincávamos juntos, nós, os brasileiros e os portugueses, com as piadas sobre uns e outros e tínhamos uma profunda admiração mútua. Algumas vezes, fomos recebidos nas casas de amigos portugueses de uma forma que nos fazia sentir como se estivéssemos em nossa própria casa, com muito carinho e mesa farta, tal e qual gostamos de fazer por aqui. Essas recepções faziam jus à canção que diz "é uma casa portuguesa com certeza, com certeza é uma casa portuguesa". 
Ademais, devo dizer que já tive muito mais sensação de ser vítima de preconceito por ser nordestina, aqui no Brasil. Isso nas minhas andanças pelo sudeste do país, e, pasmem, exatamente por pessoas que trabalham em serviços, esses mesmos que, se estivessem em algum lugar da, assim denominada pela autora da reportagem abaixo, “Fortaleza Europa”, ou nos Estados Unidos, trabalhando ou em busca de trabalho nesses mesmos serviços, poderiam ser vítimas de preconceito étnico e social, como na maior parte das vezes são.
Quero dizer também que, portugueses já sofreram e ainda sofrem preconceitos aqui no Brasil. Certa vez, andando de táxi com uma amiga carioca, no Rio de Janeiro, o motorista fez algum comentário preconceituoso contra nordestinos e essa amiga teve uma reação bem dura com ele, dizendo que não gostava daquele tipo de comentário, até porque, já havia sido, especialmente quando criança, vítima de preconceito por ser filha de português. E de como sofria por isto. Lembro que, na minha infância, achava que todo português era dono de padaria, porque no meu bairro sempre se falava da padaria do “portuga”. Fora isso, crescemos aqui com inúmeras piadas envolvendo portugueses, o que, hoje em dia, quando recebo via correio eletrônico, faço questão de não ler e de deletar. E se alguém as quer contar oralmente, faço questão de não as escutar, como costumo proceder com todo tipo de piada que busca diminuir o outro por questões étnicas, sexuais, de gênero, de geração ou raciais Então meus amigos, portugueses e brasileiros, todos nós, sem qualquer exceção, temos que aprender com o diferente, temos que nos abrir à novas culturas, sabendo que, como afirma a Clara Ferreira Alves, “Os imigrantes trazem cheiro da viagem e dos novos costumes e tradições.....”




O Brasil a ir embora

Um país que decide prescindir de imigrantes é um país empobrecido
   Clara Ferreira Alves – Jornal Expresso

sábado, 27 de agosto de 2011

"A Aventura de Miguel Littin, Clandestino no Chile"



De Gabriel Garcia Marques








Retirado do site SHVOONG.com a fonte global de resumos e críticas


"Este livro é uma reportagem em que o escritor colombiano, Prémio Nobel de literatura em 1982, dá voz ao cineasta chileno Miguel Littin que, em 1985, conseguiu entrar clandestino no seu país. A exemplo do que fez em "Relato de um Náufrago" Gabriel Garcia Marquez escreveu "A Aventura de Miguel Littin, Clandestino no Chile" inteiramente na primeira pessoa de forma a assegurar a autenticidade sobretudo no que se refere às emoções do depoimento. Proibido de entrar no Chile pela ditadura do general Augusto Pinochet, Littin submeteu-se não só a uma mudança de personalidade, mas também de aspecto físico e da sua pronúncia não tendo sido reconhecido sequer pela sua própria mãe nem pelos soldados do palácio presidencial La Moneda, onde teve a audácia de entrar, tendo estado mesmo a poucos metros do gabinete de Pinochet, mesmo sabendo que corria o risco de ser fuzilado no caso de ser reconhecido. Fingindo um casamento Littin conseguiu entrar no Chile com várias equipas de filmagem independentes. Seguem-se os encontros clandestinos com membros da oposição, os testemunhos da população, a adoração pelo falecido Salvador Allende, idolatrado como um Deus. Gravam um filme de quatro horas para a televisão e outro de duas horas para o cinema. Ambos seriam, mais tarde, projectados nos quatro cantos do planeta como instrumento de denúncia da ditadura de Pinochet. São estas as bases documentais de um documentário lançado em 1986 "Acta General de Chile" que viria a ser galardoado no Festival de Veneza e que fez aumentar a pressão internacional contra o regime do general ditador. Este é um livro essencialmente documental que Gabriel Garcia Marquez escreveu a partir de uma entrevista do cineasta ao próprio escritor de que resultaram 18 horas de gravação. Nele são relatados ainda vários episódios que não foram revelados nos filmes. Nele se contam os êxitos e os contratempos de todo o processo de filmagens, permeados por esquemas de segurança, nostalgia e revolta. Mas a importância deste documento não se centra na aventura vivida por Littin mas sim na recriação do clima de terror e de tensão em que viviam todos os chilenos enquanto eram governados pelo regime militar de Augusto Pinochet. Alguns nomes bem como algumas referências a datas e a locais foram alterados, para segurança de pessoas que continuaram a viver no Chile. Esta é, sem dúvida nenhuma, uma obra ímpar, de leitura obrigatória".