domingo, 31 de outubro de 2010

31 de Outubro de 2010, o dia D,o dia Dilma, o dia de eleger a primeira mulher Presidente do Brasil

Sou Dilma Rousseff, sou 13, para o Brasil continuar mudando.





O Bloco da Vitória está na rua
desde que o dia raiou

Venha minha gente
pra esse cordão

que a hora da virada chegou, ô ô ô ô


Canção de um bloco de frevo de Pernambuco. Mas nós não precisamos dizer a hora da virada, porque sempre estivemos na frente, então podemos dizer a hora da VITÓRIA da primeira mulher que será eleita Presidente do Brasil.

500 anos hoje

 
                                                                    
 De onde vem essa mulher
que bate à nossa porta 500 anos depois?
Reconheço esse rosto estampado
em pano e bandeiras e lhes digo:
vem da madrugada que acendemos
no coração da noite.
De onde vem essa mulher
que bate às portas do país dos patriarcas
em nome dos que estavam famintos
e agora têm pão e trabalho?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem dos rios subterrâneos da esperança,
que fecundaram o trigo e fermentaram o pão.
De onde vem essa mulher
que apedrejam, mas não se detém,
protegida pelas mãos aflitas dos pobres
que invadiram os espaços de mando?
Reconheço esse rosto e lhes digo:
vem do lado esquerdo do peito.
Por minha boca de clamores e silêncios
ecoe a voz da geração insubmissa
para contar sob sol da praça
aos que nasceram e aos que nascerão
de onde vem essa mulher.
Que rosto tem, que sonhos traz?
Não me falte agora a palavra que retive
ou que iludiu a fúria dos carrascos
durante o tempo sombrio
que nos coube combater.
Filha do espanto e da indignação,
filha da liberdade e da coragem,
recortado o rosto e o riso como centelha:
metal e flor, madeira e memória.
No continente de esporas de prata
e rebenque,
o sonho dissolve a treva espessa,
recolhe os cambaus, a brutalidade, o pelourinho,
afasta a força que sufoca e silencia
séculos de alcova, estupro e tirania
e lança luz sobre o rosto dessa mulher
que bate às portas do nosso coração.
As mãos do metalúrgico,
as mãos da multidão inumerável
moldaram na doçura do barro
e no metal oculto dos sonhos
a vontade e a têmpera
para disputar o país.
Dilma se aparta da luz
que esculpiu seu rosto
ante os olhos da multidão
para disputar o país,
para governar o país.
(Pedro Tierra)
Brasília, 31 de outubro de 2010.

 

 


Passeata dos 100 mil no Recife - eu estava lá e a última foto é um filminho
















sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Lula chora ao fazer avaliação de governo em entrevista exclusiva ao Jornal da Record

Para Dilma guerreira das mulheres brasileiras!







No início da campanha me intrigava o jeitão sério e pouco desarmado de Dilma em meio às multidões. Pensava comigo que ela necessitava relaxar mais, se jogar mais e assim conquistar mais pessoas para votarem no seu pleito. Compreendia, no entanto, que era a primeira vez que ela subia em um palanque e logo como candidata ao posto de mandatária desse país.
Dito isto, passo ao que acredito, não apenas eu enxerguei, mas a maioria da população brasileira, talvez especialmente as mulheres, porque mais observadoras e sensíveis a pequenos gestos, enxergou, no desenrolar dessa campanha. Dilma passou a se soltar mais nas apresentações públicas e, como disse um amigo tuiteiro, parecia que Lula havia construído um novo monstro. Com algumas ressalvas a esta opinião, acho que Dilma, de fato, foi ganhando mais segurança à medida em que todos nós passamos a conhecê-la melhor e a irmos aos eventos não apenas para vermos o Presidente Lula, mas para vermos a nossa futura Presidente de perto. Assim, pelo menos, se deu comigo. No mês de julho, Lula e Dilma estiveram em Garanhuns, Pernambuco, participando de um ato político que aconteceu numa quadra esportiva de uma escola e logo depois em um comício aqui no Recife. Embora ouvisse muitas pessoas gritando o seu nome, naquele momento, estávamos todos ainda sendo apresentados a ela por Lula, e era ele que queríamos  ver, enquanto ainda Presidente. Para agradecer pelo seu excelente governo e nos despedir. Lembro inclusive, que, no comício, Lula chegou a brincar com a exaltação e os agradecimentos com os quais as pessoas presentes lhe saldavam, que ele não iria morrer tão cedo e que estava apenas passando a bola da presidência para outra pessoa, mas que pretendia continuar muito ativo e muito próximo do povo por muitos e muitos anos.
 Passado o susto de não termos vencido no primeiro turno, o que hoje penso ter sido excelente para a confirmação do nome de Dilma, parece que a assessoria da campanha enxergou longe e fez com que ela se projetasse de forma mais independente do Presidente Lula. E não deu outra. As pessoas, embora conservando um carinho enorme por Lula, já procuravam e queriam ver aquela em quem iriam votar. E pelas tantas imagens que tenho visto no programa eleitoral e aqui na internet, percebe-se todo o carinho com que elas passaram a receber e ovacionar Dilma.  
Embora ainda ache que a candidata fica um tanto assustada com todas essas manifestações, talvez se perguntando se as merece, ou se as pessoas não estariam projetando nela todo o carinho que sentem por Lula, o que em parte é verdadeiro,  o que mais me admira em Dilma é o fato dela não subir no salto alto, como sempre tem afirmado. Passei a olhar dessa forma o jeito como ela, ainda hoje, reage a tantos gestos de carinho a sua pessoa. Penso que Dilma consegue se manter  íntegra e perfeitamente saudável no jeito de encarar todo o apoio que tem recebido, sem demonstrações de vaidade. Ela não fica forçando a barra para parecer também a grande mãe do povo, inclusive esse apelo foi muito menor no segundo turno, ainda bem.  Diferentemente, ela se mostra, muito mais, uma pessoa que sente o peso da responsabilidade de continuar tratando a mim, a você, ao povo brasileiro, com todo o respeito que ele merece. Por isso e muito mais, no dia 31 de Outubro de 2010, eu, Rejane, mulher, nordestina, pernambucana nascida e criada no Recife, votarei em Dilma Rousseff para eleger a primeira mulher Presidente do Brasil.