sábado, 18 de outubro de 2014

O jogo não termina

Antonio Paulo Rezende

"Guarde o tempo em algum lugar pouco conhecido.
Ele foge, inquieta-se, mas repousa em memórias antigas.
Não adianta esquecer o corpo, anular os calendários,
quando tudo flui evitando o cansaço do olhar fixo.
Há quem testemunhe brincadeiras distraindo as agonias
e adiando qualquer imagem doentia de culpa e pecado.
Cada história traz o sinal da eternidade confusa, mas sedutora,
dilui a tensão que teima em refazer os conflitos sem defini-los.
A possibilidade se esvazia quando a mesmice se torna soberana
e acreditamos que o fim do mundo tem data marcada."

quarta-feira, 27 de agosto de 2014


Texto de Fabíola Simões no blog A soma de todos os afetos


Faço o tipo distraída. Atenta ao todo e desfocada de tudo. Perdida em pensamentos, divagações, viagens interiores. Do tipo que esquece a bolsa quando encontra as chaves. Atrasada, sempre correndo, sempre esquecendo. Distraída do tempo, de rostos e nomes. 
Mas nunca tinha ocorrido esquecer-me de mim. Amnésia mesmo. Olhar para o espelho e perguntar quem é aquela que sorri sem jeito e diz "muito prazer". Acordar e não saber que vida é aquela, ter a sensação de estar vivendo a vida de outra pessoa, não a minha.
Aconteceu comigo. Parece loucura porque não sofri nenhum acidente, não bati a cabeça nem tive traumatismo craniano. Mas de vez em quando a vida dá um "presta atenção" na gente. E eu precisei levar duas bofetadas para acordar. Um nocaute para estacionar.
Acordei com amnésia querendo saber como vim parar aqui, que pedaço de mim fez essa viagem e que parte ficou lá atrás, sem coragem de engatar a primeira marcha. Naquele dia acordei com saudade daquela que não fez as malas, da menina que parou no tempo e tinha muitas coisas para me contar porque segui a estrada distraída e ela esteve a me observar, sabia dos meus erros, entendia minhas fraquezas, foi espectadora da minha jornada.
Acordei sem identidade e quis me encontrar com aquela que sempre soube o que queria, com a parte de mim que tinha um olhar mais adocicado perante a vida.
Como no filme "A Dona da História" em que a Carolina de meia idade encontra-se com a Carolina de dezoito anos e se pergunta como teria sido a vida se tivesse feito outras escolhas, investiguei meu passado pra entender o presente. Revi fotos, reli cartas, mergulhei em diários. Voltei a escrever, reencontrei amigos, assisti a videos. Pouco a pouco a memória foi voltando, a comunicação se restabelecendo, o branco dando lugar ao entendimento.
Então uma noite recebi uma visitante ilustre. Era a menina dos diários. Passamos a noite revendo histórias, compreendendo as escolhas, aceitando os caminhos. No fim, me encarou com ternura afirmando que fiz a escolha certa, que estou no lugar que sempre desejei estar_ apesar dos conflitos, dúvidas e mágoas.
"Isso faz parte da vida"_ ela disse, e acrescentou: "Apesar de tudo, essa é a melhor versão da sua história"...
"E pode ser uma benção se você compreender que não é porque o caminho está difícil que ele está errado..."
No dia seguinte a memória voltou e tratei de ser feliz...

terça-feira, 19 de agosto de 2014





domingo, 3 de agosto de 2014

Uma voz lúcida e desesperada em meio ao caos




terça-feira, 15 de julho de 2014

This Land is Mine

from Nina Paley
Uma breve história da terra chamada Israel/Palestina/Canaan/the Levant
Who is killing who?
blog.ninapaley.com/2012/10/01/this-land-is-mine/


This Land Is Mine from Nina Paley on Vimeo.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ortopedia - Das Ruas do Absurdo - clique ao lado para ouvir a música


Das ruas

Das ruas
do senso
comum
que cotidianamente
rompe a linguagem
que mata
nas ruas
que amam
que salvam!


Rejane Cavalcanti em 04/06/2014 às 04:46 minutos

Via Carol Pimentel