quarta-feira, 10 de junho de 2015

Um pouco da nossa história - uma homenagem ao meu amor no dia do seu aniversário




















Nos conhecemos há muitos anos. Ele recém- chegado do Rio de Janeiro, nas assembleias dos professores da rede particular de Pernambuco. Acompanhado da mãe da sua filha que estava grávida na época, a  primeira pernambucana que conquistou seu coração. Era seu segundo casamento. O primeiro também foi com uma nordestina do Rio Grande do Norte com quem viveu cinco anos no Rio de Janeiro.
Gostava como se colocava nas assembleias. Sempre votava com ele que era ligado a um grupo de prestista (grupo que seguia a linha política que tinha como referência as ideias do comunista Luiz Carlos Prestes), embora eu não pertencesse a qualquer grupo político organizado.
Sua juventude foi vivida no Rio de Janeiro, em meio ao movimento mais ligado ao estilo hippie, alternativo. Mas antes disto, foi um boêmio. Tocava pandeiro e cavaquinho e veio para Recife trazendo um violão debaixo do braço.
O relato que faz sobre a sua paixão pelo Recife é muito bonito. Diz que quando chegou no pé da ponte Duarte Coelho, já na avenida Guararapes, uma das principais do centro da cidade, olhou para a paisagem e abriu os braços sentindo o vento bater no seu rosto e daí, não teve dúvidas, era ali que iria viver o resto dos seus dias.
Não gosta, nunca gostou, quando digo que é carioca. Não porque rejeite o lugar onde nasceu e viveu até 28 anos de idade. Mas porque se sente pernambucano da gema e sempre diz ser natural de Casa Amarela, um dos bairros periféricos mais populoso do Recife, berço de muitas histórias do movimento social popular. Assumiu ser pernambucano nascido em Casa Amarela, tanto porque lá morou, mas principalmente porque foi na maternidade deste bairro onde a sua filha nasceu. É apaixonado pela cultura pernambucana e se confunde com ela nas suas múltiplas formas de experimentá-la e de viver a sua própria vida.
Nossos filhos nasceram no mesmo ano, 1980. Um mês de diferença apenas entre um e outra (janeiro e fevereiro).
Depois de nos separarmos dos nossos companheiros, pai e mãe dos nossos filho e filha, vivemos outras histórias antes de nos encontrarmos e iniciar a nossa relação afetiva, o que aconteceu no reveillon de 1988/1989.
Lembro de uma vez, muito antes de começarmos a namorar, eu já olhava para ele com olhos libidinosos. Chamou-me para conversar. Eu segui toda arrumada. Deu tudo errado, pelo menos para mim. Chegando ao local do encontro, um bar muito simples na esquina da avenida Conde da Boa Vista com a rua das Ninfas (primeira decepção), eu ainda desejando que ele me convidasse para um lugar um pouco mais romântico, descobri que a sua intenção era conseguir o meu voto para o grupo político dele, que era um dos que se candidatava à direção do Sindicato. Que frustração. Nem sei se ele conseguiu ganhar meu voto naquele dia. Só sei que eu não consegui ganhá-lo para mim.
Durante os anos de 1980 cursou o mestrado de História e fez concurso para a Universidade Federal de Pernambuco para ser professor de História da Educação. Voltamos a nos encontrar entre os anos de 1986/1987, quando ele passou a prestar assessoria na formação dos especialistas em educação/formadores de professores, da Secretaria de Educação do Recife, grupo do qual eu fazia parte. Depois nos encontramos novamente no Centro de Educação da UPE, onde ele era professor. Eu fazia um Curso de Especialização em Fundamentos da Educação e estava no momento da escolha de um/a orientador/a para a produção da minha monografia. A pessoa que eu havia escolhido desistiu horas antes do prazo determinado para a entrega dos nomes dos orientadores. Andava pelos corredores do Centro, quando passei em uma sala onde ele dava aula. Chamei-o na porta e perguntei se poderia ser meu orientador. Ele aceitou de imediato.
Era fim de ano e, a partir daí as coisas passaram a funcionar através de trocas de bilhetinhos na porta da sua sala, para marcar conversas sobre o trabalho.
Dias depois, já após o Natal, nos encontramos em uma rua do centro da cidade e marcamos para nos encontrarmos no réveillon, nas ruas e ladeiras de Olinda, após meia noite.
Chegado o último dia do ano, saio eu de casa toda arrumada, penteada, com uma trança nos cabelos, toda cheia de gel e de biliros (como chamamos aqui no Nordeste grampos de cabelo). Toda de branco, com um vestido de malha, saia balonê (ou balone, ou balão) e com um blazer também branco que tinha uma cauda na parte de trás como um fraque. Também calçava um par de meias finas branca e uma sapatilha.
Nos encontramos nas ladeiras de Olinda, ele de camisa da CUT amarela e com um short de chita. Sim, eu estou aqui rindo, como sempre acontece quando conto essa história. Fomos para um bar, eu, ele e algumas amigas nossas.
Bebemos e conversamos até o dia raiar, então fomos para a beira mar ver o sol nascer. Ali trocamos o nosso primeiro beijo. Sentamos na praia e ele começou a tentar tirar os birilos do meu cabelo. De birilo em birilo, de amasso em amasso, quando nos despedimos, os meus cabelos já estavam totalmente soltos e as meias nas minhas mãos.
Começamos a namorar. Mas íamos viajar no mês de janeiro para lugares diferentes. Fui para o Rio de Janeiro, onde tenho familiares, junto com uma tropa: pai, mãe, filho, amiga, duas tias e uma amiga de uma das tias, de ônibus. Ia passar o mês na casa do meu primo, em Niterói.
Ao retornar, logo no início de fevereiro acontecia o carnaval. Fomos para o Galo da Madrugada, eu, algumas amigas e o filho do meu primo que veio passar o carnaval no Recife.
Depois fomos para um outro bloco, o “Nós sofre mas nós goza”, que reunia a maioria das pessoas da esquerda recifense e saía da Rua Sete de Setembro. Sabia que ele estaria ali e que, com certeza, estaria me procurando também. Mas não o encontrei logo na concentração onde também acontecia o desfile de fantasias antes da saída do bloco. Então, para fazer de conta que não o estava procurando, peguei nas mãos do meu primo e saí andando por entre as pessoas e o avistei de longe. Ele, depois me disse, achava que eu estava acompanhada de um novo namorado, mas nos aproximamos e ficamos assistindo ao desfile, eu na sua frente e ele já com os braços circulando o meu corpo. De repente começamos a nos beijar e daí em diante não paramos mais. Nos beijamos tanto nesse carnaval, que uma amiga nossa dizia que a minha monografia estava sendo orientada ali e até o fim do carnaval seria escrita. 
Nunca havíamos casado oficialmente, mss já morando juntos, resolvemos escolher o carnaval como uma das datas em que comemorávamos o nosso encontro. E, em um carnaval qualquer, não lembro mais o ano, nos casamos em meio a folia, debaixo de confetes e serpentinas, rodeados por amigos e pela multidão.
Um outro momento que passou a fazer parte da nossa história aconteceu no Rio de Janeiro, na praia do Leme, quando a sua irmã, colocou as alianças do seu pai e da sua mãe nos nossos dedos e nos abençoou como casal. Foi no ano de 2008, ano em que nossas mães, a minha e a deles, haviam falecido.
Chegamos em setembro de 2014, em pleno decorrer de 25 anos de parceria. Ele, sem que eu soubesse, pegou uma carona no casamento do meu irmão, e, em combinação com o mesmo e com a minha cunhada, chamou amigos mais próximos e que tinham acompanhado a nossa história, trouxe a irmã e o cunhado, assim como o seu melhor amigo do Rio de Janeiro e deixou alguns parentes, tanto os que viviam no Rio quanto em outros lugares do Brasil, a par do que ia acontecer. Muitos só ficaram sabendo que ali também seria realizado o nosso casamento oficial, durante a cerimônia. Eu fui a última a saber.
Foi um momento de sustos, mas especialmente de muita emoção e beleza, quando então declaramos e renovamos os nossos votos de amor.
Portanto, o que posso dizer deste homem, que está na minha vida há 26 anos? 
Os primeiros anos de namoro, nós vivemos em casas separadas e tivemos alguns atropelos como todo e qualquer casal. Passamos por muitas coisas juntos, brigamos, gritamos um com o outro, tivemos dúvidas, ah! como tivemos, mas especialmente nos apoiamos. Com ele aprendi a ser mais tolerante, a ser mais solidária, mais companheira. Ele é uma pessoa repleta de qualidades e sempre foi um excelente pai para a sua filha, porque ele sabe o significado puro da palavra cuidar. 
E ele cuida não apenas de nós, da sua filha, de mim, do meu filho, da sua irmã, dos seus sobrinhos, dos seus cunhados e de todos os parentes (como cuidava dos seus pais e dos meus), mas também cuida dos amigos. E cuida como irmão, cuida como as pessoas merecem ser cuidadas. Tem um senso de responsabilidade e solidariedade que sempre foi um dos aspectos de seu caráter que me fez permanecer com a certeza de que queria continuar a ser a sua mulher durante muitos e muitos anos. Ele tem sido o meu querido companheiro e muitas vezes me emociono com o jeito espontâneo como ele cuida de mim. Tenho certeza que todos os seus amigos e parentes sabem do que estou falando. Nós nos chamamos de pretinho e pretinha, mutuamente. E eu ainda sou tremendamente apaixonada por este homem.
Feliz aniversário Geraldo Barroso, meu pretinho. Sei que o que aqui escrevi não consegue dimensionar por completo as suas qualidades e o tamanho do seu imenso coração. Eu amo você.
Dia 10 de junho de 2015, 
Às 00:30 min.

 Quarta-feira, dia do seu aniversário.








quarta-feira, 25 de março de 2015

quarta-feira, 12 de novembro de 2014





Skies are crying
I am watching
Catching teardrops in my hands
Only silence, has its ending
Like we never had a chance
Do you have to make me feel like
There's nothing left of me?

You can take everything I have
You can break everything I am
Like I'm made of glass
Like I'm made of paper
Go on and try to tear me down
I will be rising from the ground
Like a skyscraper
Like a skyscraper

As the smoke clears
I awaken and untangle you from me
Would it make you feel better
To watch me while I bleed
All my windows, still are broken
But I'm standing on my feet

You can take everything I have
You can break everything I am
Like I'm made of glass
Like I'm made of paper
Go on and try to tear me down
I will be rising from the ground
Like a skyscraper
Like a skyscraper

Go run, run, run
I'm gonna stay right here
Watch you disappear, yeah
Go run run run
Yeah it's a long way down
But I'm closer to the clouds up here

You can take everything I have
You can break everything I am
Like I'm made of glass
Like I'm made of paper
Go on and try to tear me down
I will be rising from the ground
Like a skyscraper
Like a skyscraper
Like a skyscraper
Like a skyscraper
Like a skyscraper

Pelo amor de uma filha

Você sabe o que é ser filha de um alcoólatra, você sabe? Você sabe o que é viver diariamente assustada com o temor de sentir o cheiro de bebida ao se aproximar do seu pai e dizer, não, não foi dessa vez. Hoje ele veio pra casa sóbrio? Você sabe o que é escutar da sua mãe, seu pai bebeu e a partir daí saber que o inferno voltou ao seu lar? Você sabe o que é ser apenas uma garotinha, ter apenas não mais do que cinco, seis, sete, oito anos e sua mãe mandar você ir chamar seu pai na esquina, no bar, porque a você ele atende? Você sabe o que é fazer mais de 20 anos de terapia e ainda assim continuar sentindo medo? Continuar se achando uma pessoa horrível? Continuar achando que você errou a sua vida inteira? Continuar sentindo vergonha de si mesma? Continuar sentindo pena de si mesma? Recife, 12 de novembro de 2014. À 1:15 hs da madruga. Depois de ver na TV especial sobre Demi Lovato, cantora, menina de 22 anos, filha de alcoólatra , usuária de drogas e com transtorno bipolar e ouvir a música que fez para o seu pai For the love of a daughter. Ps. Hoje, 25 de março de 2015, choro quando releio o desabafo acima e escuto a música e lembro da minha história e da história da Demi Lovato. Amei e ainda amo o meu pai com um amor incondicional e tivemos a felicidade de conseguir com que parasse de beber através dos Alcoólatras Anônimos e isso pouco antes do meu filho e seu primeiro neto nascer. Ele era um homem menino, ele era um ser maravilhoso e todos o amavam muito, família e amigos. Ele foi uma das grandes vítimas dessa doença que precisa ser tratada e muito compreendida ainda. Este post vai em homenagem e solidariedade a todas as famílias afetadas pelo alcoolismo que, sim, é uma doença das mais tristes e talvez a que mais destrói identidades. Four years old With my back to the door ll I could hear Was the family war Your selfish hands Always expecting more Am I your child Or just a charity award You have a hollowed out heart But it's heavy in your chest I've tried so hard to fight it but it's hopeless Hopeless (hopeless) You're hopeless Oh father Please, father I'd love to leave you alone But I can't let you go Oh father Please, father Put the bottle down For the love of a daughter It's been five year Since we've spoken last And you can't take back What we never had Oh I can be manipulated Only so many times Before even "I love you" Starts to feel like a lie YouTuber have a hollowed out hear But it's heavy in your chest I've tried so hard to fight it but it's hopeless Hopeless (hopeless) You're hopeless Oh father Please, father I'd love to leave you alone< But I can't let you go Oh father Please, father Put the bottle down For the love of a daughter Don't you remember I'm your baby girl? How could you push me Out of your world? Lied to your flesh and your blood!
Put your hands on the ones
That you swore you loved!< /span>

Don't you remember
I'm your baby girl?
How could you throw me
Right out of your world
So young when the pain had begun
Now forever afraid of being loved

Oh father
Please, father
I'd love to leave you alone
But I can't let you go< /span>
Oh father
Please, father

Oh father
Please, father
Put the bottle down
For the love of a daughter

Pelo Amor De Uma Filha
Quatro anos de idade
Com minhas costas na porta
Tudo o que eu conseguia ouvir
Era a guerra da família

Suas mãos egoístas
Sempre esperando mais
Sou sua filha
Ou apenas um prêmio de caridade?

Você tem um coração oco
Mas é pesado em seu peito
Eu tento tanto lutar mas não tem jeito
Não tem jeito (não tem jeito)
Você não tem jeito

Oh pai
Por favor, pai
Eu adoraria te deixar sozinho
Mas não consigo te deixar partir
Oh pai
Por favor, pai
Coloque a garrafa de lado
Pelo amor de uma filha

Já faz cinco anos
Desde que nos falamos pela última vez
Você não consegue retirar
O que nunca tivemos
Oh posso ser manipulada
Apenas várias vezes
Antes mesmo de um "eu te amo"
Começou a soar como uma mentira

Você tem um coração oco
Mas é pesado em seu peito
Eu tento tanto lutar mas não tem jeito
Não tem jeito (não tem jeito)
Você não tem jeito

Oh pai
Por favor, pai
Eu adoraria te deixar sozinho
Mas não consigo te deixar partir
Oh pai
Por favor, pai
Coloque a garrafa de lado
Pelo amor de uma filha

Você não se lembra?
Eu sou sua garotinha
Como pôde me empurrar
Para fora do seu mundo?
A luz da sua lanterna e do seu sangue
Colocou sua mão naqueles
Que você jurou amar

Você não se lembra?
Eu sou sua garotinha
Como pôde me jogar
Para fora do seu mundo?
Tão jovem quando a dor começou
Agora para sempre com medo de ser amada

Oh pai
Por favor, pai
Eu adoraria te deixar sozinho
Mas não consigo te deixar partir
Oh pai
Por favor, pai

Oh pai
Por favor, pai
Coloque a garrafa de lado
Pelo amor de uma filha
Pelo amor de uma filha

sábado, 18 de outubro de 2014

O jogo não termina

Antonio Paulo Rezende

"Guarde o tempo em algum lugar pouco conhecido.
Ele foge, inquieta-se, mas repousa em memórias antigas.
Não adianta esquecer o corpo, anular os calendários,
quando tudo flui evitando o cansaço do olhar fixo.
Há quem testemunhe brincadeiras distraindo as agonias
e adiando qualquer imagem doentia de culpa e pecado.
Cada história traz o sinal da eternidade confusa, mas sedutora,
dilui a tensão que teima em refazer os conflitos sem defini-los.
A possibilidade se esvazia quando a mesmice se torna soberana
e acreditamos que o fim do mundo tem data marcada."