sábado, 31 de agosto de 2013

Coque - Zeis (Zona Especial de Interesse Social) Será?


"No princípio era a lama. O Coque alagado do Rio Capibaribe foi sendo aterrado, palmo a palmo por seus moradores. Até que a lama se pintou de memórias e de uma história que já ultrapassa um século. Por estar molhada, aquela terra virou terreno de marinha, terreno da União. Por ser pobre, tornou-se Zona Especial de Interesse Social, Zeis."




"É histórico, o poder público só entra no Coque para operar desapropriações. Apesar da comunidade ter conquistado o direito a ser Zeis (Zona Especial de Interesse Social), continua com situação precária de saneamento, saúde e educação. O fato é, o bairro fica localizado em zona estratégica de Recife. Ao invés do governo realizar a urbanização da comunidade, vem ao longo dos anos expulsando, pouco a pouco, seus moradores realizando obras que não beneficiam a comunidade, com o discurso de que se trata de trazer desenvolvimento para a cidade."







"Para muitos em Recife, a Zeis Coque é apenas uma notícia negativa no jornal. Para as grandes empreiteiras, um lugar estratégico para possíveis construções. Para os 40 mil moradores do bairro, o Coque é sua casa, o lugar onde constroem sua história, sua memória.
Por estar localizado em área central do Recife, o lugar é alvo da especulação imobiliária. Por ser local de “ocupação irregular” é tido pelo poder público como entrave nas obras de “desenvolvimento” da cidade. Apesar de ser uma ZEIS (Zona Especial de Interesse Social), áreas demarcadas no território de uma cidade para assentamentos habitacionais de população de baixa renda.
Desde 1975 várias famílias já foram desapropriadas. O Coque perdeu 51% de seu território. Agora, em nome de obras de "mobilidade urbana" para a Copa de 2014, 58 famílias estão sendo desalojadas para a ampliação do sistema viário de acesso ao Terminal Integrado Joana Bezerra. Algumas famílias receberam carta de despejo, mas se recusam a sair de suas moradias, único bem que possuem.
Primeiro vídeo de uma série que tratará sobre o direito à moradia."



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domingo, 25 de agosto de 2013

Uma visão sobre o Mais Médicos - por Vera Stringhini

      
Sou da geração que participou da VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986: marco teórico e político que permitiu a criação do SUS.
Sabíamos que o SUS só seria viável se agregasse ao modelo médico tradicional os conceitos de saúde comunitária, saúde de família, equipe multiprofissional, prevenção, saúde ocupacional, fatores de risco, poluição ambiental, educação para a saúde, nutrição, e muitas outras disciplinas ausentes do currículo das escolas médicas. Há aproximadamente 30 anos esta visão mais abrangente vem sendo discutida e seus instrumentos construídos e aprimorados.
O programa Mais Médicos nos faz recuar no tempo. Seria perfeito e não seria necessário importar médicos se a Bolsa-médico fosse a Bolsa-equipe-de-saúde: R$10.000,00 disponibilizados igualitariamente para a equipe que planificaria suas ações conforme as necessidades de cada região.
Penso que foi um erro desrespeitar o marco simbólico que sustenta a construção de nossa ciência médica, edificada com seriedade e segurança. Foi arrogância não querer dialogar com representantes dos Conselhos, Sindicatos e Escolas médicas. Criou uma fratura em nosso sistema simbólico, quer dizer, temos agora vários tipos de médicos. A palavra Médico, tão respeitada, perdeu significado pela multiplicação dos significantes. E a cisão dentro da equipe , que estava ultrapassada, reascendeu-se entre os médicos brasileiros e os estrangeiros.
Os médicos cubanos não vão nos fazer mal, são bons agentes de saúde, seria um doloroso erro hostilizá-los. É certo que nossa medicina  tem uma evolução, desde a origem,  diferente da medicina cubana: nossa medicina é liberal-iluminista, filha das ciências exatas. A medicina cubana é socialista, filha das ciências humanas. Ambas tem vantagens e desvantagens, temos de aprender com eles, eles tem o que aprender conosco.
Em um momento particularmente otimista para a nossa medicina comunitária, onde ações tidas como exclusivas do médico podem ser exercidas por outros profissionais da equipe, o que amplia a força da equipe de saúde e aumenta a resolutividade das unidades básicas, temos de enfrentar um programa que recupera o modelo da supremacia médica e recomeçamos a debater competências.
Gostaria de pensar que na qualidade de trabalhadores e sonhadores  do SUS, com seu ideário de Universalidade, Integralidade, Equidade, Descentralização e Participação, tão caro ao nosso imaginário, vamos receber bem nossos colegas ultrapassando as questões simbólicas. Considerando-as, mas sem se deixar cegar por elas.
É princípio da medicina  mas serve para todo e qualquer trabalhador da saúde: Primo non nocere, em primeiro lugar não causar dano. Isso significa contribuir para fazer da equipe um produto gregário, democrático onde convivem desejos e saberes distintos combinados para um objetivo comum. Não é fácil, mas vale o esforço.

                                                         Vera Stringhini

                                                         Médica Psiquiatra
                                                         Porto Alegre-RGS - 
                                                         Agosto de 2013
O texto não revela, a opinião da dona do blog, mas é importante para o debate sobre o Programa Mais Médicos.
                                                         

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"Vídeo sobre a história da Europa, de 1.000 DC à 2003, em 3 minutos"

"Das conquistas gregas e romanas até a dissolução da Iugoslávia: um vídeo criado por um software da Centennia Historical Atlas conta a história da Europa em menos de 4 minutos. A música tema foi composta por Hans Zimmer para o filme ‘Inception’. Para se ter ideia da quantidade de fatos, a Segunda Guerra Mundial só começa a aparecer a partir dos 3 minutos. Veja o vídeo abaixo" introdução do Radar Global

domingo, 11 de agosto de 2013

Ao meu pai




Guto Holanda - Pai e filha - óleo sobre tela.




Pai, como eu
 lembro tanto.
Nos teus braços
adormecia
embalada por
teus contos
de assombro
e de encantos.

Pai, como
eu me lembro
dos dias
de teus desencantos,
a segurar tuas mãos
 com minhas mãos
 de menina
assombrada
num instante,
mas depois
reconfortada
pela dor
apaziguada

E como lembro, pai
querido, que
eras todo sentido
no teu afeto
e amor.

Ah! pai como
eu queria
poder te dizer de novo
tudo aquilo que sentia,
quando então me protegias
no calor dos teus abraços.
E te sentir
novamente
e ficar assim contente
como quando era criança
e brincava na ilusão
de que eras para sempre
de que não te perderia.

Rejane Cavalcanti
Recife, 11 de Agosto de 213.





sábado, 3 de agosto de 2013

"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é.É ruim da cabeça, ou doente do pé"

"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé". Viva a praça. A praça é minha, a praça é sua, a praça é nossa. Viva a república.Viva a democracia. E um viva aos gregos que a inventaram.O bonde da história está passando. Ou embarcamos nele ou ficaremos assistindo a banda passar.