sábado, 2 de novembro de 2013

2001 Dawn of Man (best cut)

"Ápice da sequência da 'aurora do homem', uma das mais célebres e eloquentes da história do cinema". Frase de José Geraldo Couto, no blog Blog do IMS



segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"A revolução acabou. Começa a idade da revolta"

por Marco Belpolit

Publicado em português na página Cultura e Barbárie - Sopro,  traduzido da publicação original no La Estampa, publicação esta datada de 16 de Fevereiro de 2010.

Adeus, revolução? Sim, o seu lugar foi tomado pela revolta. De Clichy-sous-Bois, na periferia parisiense, em 2005, até Atenas em 2008, até o ataque dos estudantes londrinos em 2010, ou até a passeata dos estudantes ganhar as ruas de Roma anteontem, a revolta parece ter tomado o lugar das forças revolucionárias. A revolta não tem projeto, não se projeta no tempo futuro. Como sustentou um dos seus teóricos, o germanista e mitólogo Furio Jesi, morto justo há trinta anos, emSpartakus. Simbologia della rivolta, texto de publicação póstuma, «antes da revolta e depois dela se estendem a terra de ninguém e a duração da vida de cada um, nas quais se perfazem ininterruptas batalhas individuais». Evocando Rimbaud e a Comuna de Paris, Jesi afirmava: «Só na revolta a cidade é sentida como o haut-lieue ao mesmo tempo como a própria cidade»; na hora da revolta não se está mais sozinho, mas se está no fluxo cambiante do Nós, entidade provisória e lábil, extática e violenta.
Depois do fim das ideologias, depois da queda do Muro de Berlim e do triunfo do pensamento único, no Ocidente como no Oriente, em Nova York como em Xangai, a revolta suspende o tempo histórico e cria o instantâneo; é o triunfo do presente contraposto ao futuro. Não se espera mais o dia da conclusão do longo processo revolucionário. A revolta instaura um tempo extático, escreve Pierandrea Amato, um dos teóricos das novas revoltas metropolitanas, o aqui e agora. Walter Benjamin relata como, no decurso da Comuna de Paris, os revoltosos dispararam contra os relógios, símbolo do tempo escandido pelo progresso, pela disciplina do trabalho. A revolta não prevê, mas vive no repentino; não pressupõe nem mesmo uma classe social que tomará o poder, mas só indivíduos atomizados, que no curso das insurreições espontâneas, não preparadas e contagiosas, se tornam uma força provisória. Se as revoluções cultivavam o sonho do ataque ao Palácio de Inverno, conquista do centro simbólico do poder, a revolta advém de modo molecular com o intento de condicionar materialmente o andamento normal das coisas.
Depois da revolta nada é mais como antes. Para os seus teóricos – Paolo Virno, um dos filósofos italianos hoje mais citados no mundo, mas também os franceses Alain Badiou e Jacques Rancière – a revolta é o análogo da catástrofe, do colapso a que nos habituou o novo capitalismo financeiro, a única resposta possível a uma sociedade que não parece mais ter nenhum fundamento certo, nenhuma teoria com a qual justificar o próprio domínio, a não ser a coerção, o uso da força ou a sedução do consumo. Vivemos na época do desastre, como havia intuído na metade dos anos sessenta Susan Sontag.
A revolta é filha da crise da democracia representativa que no Ocidente, por causas complexas, parece ter perdido a própria função histórica. Os revoltosos, movidos por razões freqüentemente diferentes, mostram, nas periferias urbanas francesas como no centro de Roma, nas ruas de Atenas como nas localidades ao redor de Nápoles, o emergir de uma política que se põe para além do sistema que hoje a representa: são a expressão de uma caótica e espontânea vontade de viver, oposta e simétrica àquela que na Itália domina a cena política maior. Pierandrea Amato, em La rivolta, publicado recentemente, escreve que a revolta é um vento que traz consigo a própria auto-desintegração.
Os garotos que correm com os capacetes e escudos pelas ruas, que sobem nos monumentos, que aparecem e desaparecem nas banlieues, tocando fogo nos automóveis e nas latas de lixo, mostram a existência de um campo de forças que escapa às categorias políticas tradicionais, ao marxismo e ao pós-marxismo tanto quanto às teorias neoliberais. A revolta acontece, do mesmo modo que um evento artístico, uma manifestação momentânea, uma performance. Não se pode representá-la nem de forma política nem espetacular; é um acontecimento extático, mais próximo das formas religiosas, da festa, do que das estruturas da representação política, tais como um partido ou um parlamento: vive, não se representa. A sociedade do espetáculo que dominou nos últimos vinte anos, realizando a profecia de Guy Debord, agora tem diante de si uma série de acontecimentos não capturáveis nas formas do espetáculo midiático.
Aquilo que, em definitivo, a revolta desestrutura é a idéia mesma da identidade política. O Nós aparece e desaparece, e suspende o tempo histórico em favor daquele que os gregos chamavam Kairos: o justo instante, o golpe de vista, aquele em que o atleta perfaz o movimento justo, supera o adversário, cruza a linha de chegada. Devemos preparar-nos para viver num tempo diverso daquele que marcou as vidas dos nossos pais e avós, um tempo que não tem uma única direção, ou uma destinação predeterminada, mas que acontece e ao mesmo tempo colapsa, que se mostra e se subtrai. O Homo seditiosus é o campeão de uma humanidade que sai às ruas hoje, mas também amanhã e depois de amanhã, para realizar «uma arte sem obra».


sábado, 31 de agosto de 2013

Coque - Zeis (Zona Especial de Interesse Social) Será?


"No princípio era a lama. O Coque alagado do Rio Capibaribe foi sendo aterrado, palmo a palmo por seus moradores. Até que a lama se pintou de memórias e de uma história que já ultrapassa um século. Por estar molhada, aquela terra virou terreno de marinha, terreno da União. Por ser pobre, tornou-se Zona Especial de Interesse Social, Zeis."




"É histórico, o poder público só entra no Coque para operar desapropriações. Apesar da comunidade ter conquistado o direito a ser Zeis (Zona Especial de Interesse Social), continua com situação precária de saneamento, saúde e educação. O fato é, o bairro fica localizado em zona estratégica de Recife. Ao invés do governo realizar a urbanização da comunidade, vem ao longo dos anos expulsando, pouco a pouco, seus moradores realizando obras que não beneficiam a comunidade, com o discurso de que se trata de trazer desenvolvimento para a cidade."







"Para muitos em Recife, a Zeis Coque é apenas uma notícia negativa no jornal. Para as grandes empreiteiras, um lugar estratégico para possíveis construções. Para os 40 mil moradores do bairro, o Coque é sua casa, o lugar onde constroem sua história, sua memória.
Por estar localizado em área central do Recife, o lugar é alvo da especulação imobiliária. Por ser local de “ocupação irregular” é tido pelo poder público como entrave nas obras de “desenvolvimento” da cidade. Apesar de ser uma ZEIS (Zona Especial de Interesse Social), áreas demarcadas no território de uma cidade para assentamentos habitacionais de população de baixa renda.
Desde 1975 várias famílias já foram desapropriadas. O Coque perdeu 51% de seu território. Agora, em nome de obras de "mobilidade urbana" para a Copa de 2014, 58 famílias estão sendo desalojadas para a ampliação do sistema viário de acesso ao Terminal Integrado Joana Bezerra. Algumas famílias receberam carta de despejo, mas se recusam a sair de suas moradias, único bem que possuem.
Primeiro vídeo de uma série que tratará sobre o direito à moradia."



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domingo, 25 de agosto de 2013

Uma visão sobre o Mais Médicos - por Vera Stringhini

      
Sou da geração que participou da VIII Conferência Nacional de Saúde, em 1986: marco teórico e político que permitiu a criação do SUS.
Sabíamos que o SUS só seria viável se agregasse ao modelo médico tradicional os conceitos de saúde comunitária, saúde de família, equipe multiprofissional, prevenção, saúde ocupacional, fatores de risco, poluição ambiental, educação para a saúde, nutrição, e muitas outras disciplinas ausentes do currículo das escolas médicas. Há aproximadamente 30 anos esta visão mais abrangente vem sendo discutida e seus instrumentos construídos e aprimorados.
O programa Mais Médicos nos faz recuar no tempo. Seria perfeito e não seria necessário importar médicos se a Bolsa-médico fosse a Bolsa-equipe-de-saúde: R$10.000,00 disponibilizados igualitariamente para a equipe que planificaria suas ações conforme as necessidades de cada região.
Penso que foi um erro desrespeitar o marco simbólico que sustenta a construção de nossa ciência médica, edificada com seriedade e segurança. Foi arrogância não querer dialogar com representantes dos Conselhos, Sindicatos e Escolas médicas. Criou uma fratura em nosso sistema simbólico, quer dizer, temos agora vários tipos de médicos. A palavra Médico, tão respeitada, perdeu significado pela multiplicação dos significantes. E a cisão dentro da equipe , que estava ultrapassada, reascendeu-se entre os médicos brasileiros e os estrangeiros.
Os médicos cubanos não vão nos fazer mal, são bons agentes de saúde, seria um doloroso erro hostilizá-los. É certo que nossa medicina  tem uma evolução, desde a origem,  diferente da medicina cubana: nossa medicina é liberal-iluminista, filha das ciências exatas. A medicina cubana é socialista, filha das ciências humanas. Ambas tem vantagens e desvantagens, temos de aprender com eles, eles tem o que aprender conosco.
Em um momento particularmente otimista para a nossa medicina comunitária, onde ações tidas como exclusivas do médico podem ser exercidas por outros profissionais da equipe, o que amplia a força da equipe de saúde e aumenta a resolutividade das unidades básicas, temos de enfrentar um programa que recupera o modelo da supremacia médica e recomeçamos a debater competências.
Gostaria de pensar que na qualidade de trabalhadores e sonhadores  do SUS, com seu ideário de Universalidade, Integralidade, Equidade, Descentralização e Participação, tão caro ao nosso imaginário, vamos receber bem nossos colegas ultrapassando as questões simbólicas. Considerando-as, mas sem se deixar cegar por elas.
É princípio da medicina  mas serve para todo e qualquer trabalhador da saúde: Primo non nocere, em primeiro lugar não causar dano. Isso significa contribuir para fazer da equipe um produto gregário, democrático onde convivem desejos e saberes distintos combinados para um objetivo comum. Não é fácil, mas vale o esforço.

                                                         Vera Stringhini

                                                         Médica Psiquiatra
                                                         Porto Alegre-RGS - 
                                                         Agosto de 2013
O texto não revela, a opinião da dona do blog, mas é importante para o debate sobre o Programa Mais Médicos.
                                                         

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"Vídeo sobre a história da Europa, de 1.000 DC à 2003, em 3 minutos"

"Das conquistas gregas e romanas até a dissolução da Iugoslávia: um vídeo criado por um software da Centennia Historical Atlas conta a história da Europa em menos de 4 minutos. A música tema foi composta por Hans Zimmer para o filme ‘Inception’. Para se ter ideia da quantidade de fatos, a Segunda Guerra Mundial só começa a aparecer a partir dos 3 minutos. Veja o vídeo abaixo" introdução do Radar Global

domingo, 11 de agosto de 2013

Ao meu pai




Guto Holanda - Pai e filha - óleo sobre tela.




Pai, como eu
 lembro tanto.
Nos teus braços
adormecia
embalada por
teus contos
de assombro
e de encantos.

Pai, como
eu me lembro
dos dias
de teus desencantos,
a segurar tuas mãos
 com minhas mãos
 de menina
assombrada
num instante,
mas depois
reconfortada
pela dor
apaziguada

E como lembro, pai
querido, que
eras todo sentido
no teu afeto
e amor.

Ah! pai como
eu queria
poder te dizer de novo
tudo aquilo que sentia,
quando então me protegias
no calor dos teus abraços.
E te sentir
novamente
e ficar assim contente
como quando era criança
e brincava na ilusão
de que eras para sempre
de que não te perderia.

Rejane Cavalcanti
Recife, 11 de Agosto de 213.





sábado, 3 de agosto de 2013

"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é.É ruim da cabeça, ou doente do pé"

"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do pé". Viva a praça. A praça é minha, a praça é sua, a praça é nossa. Viva a república.Viva a democracia. E um viva aos gregos que a inventaram.O bonde da história está passando. Ou embarcamos nele ou ficaremos assistindo a banda passar.






terça-feira, 16 de julho de 2013

Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

Vídeo pelo direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social

sábado, 8 de junho de 2013

Adele - Someone Like You




Someone Like You

I heard that you're settled down
That you found a girl and you're married now
I heard that your dreams came true
Guess she gave you things, I didn't give to you

Old friend
Why are you so shy
It ain't like you to hold back
Or hide from the light

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

You'd know how the time flies
Only yesterday was the time of our lives
We were born and raised in a summery haze
Bound by the surprise of our glory days

I hate to turn up out of the blue uninvited
But I couldn't stay away, I couldn't fight it
I hoped you'd see my face and that you'd be reminded
That for me, it isn't over yet

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remember you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah

Nothing compares, no worries or cares
Regrets and mistakes they're memories made
Who would have known how bitter-sweet this would taste

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead

Never mind, I'll find someone like you
I wish nothing but the best for you, too
Don't forget me, I beg, I remembered you said
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead
Sometimes it lasts in love
But sometimes it hurts instead, yeah, yeah

Alguém Como Você

Eu ouvi dizer que você se estabeleceu
Que você encontrou uma garota e agora está casado
Eu soube que seus sonhos se tornaram reais
Acho que ela lhe deu coisas que eu não lhe dei

Velho amigo
Por que você está tão tímido?
Não é sua cara se conter
Ou se esconder da luz

Eu odeio aparecer do nada, sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar
Eu tinha esperança de que você veria meu rosto e que você se lembraria
De que pra mim, não acabou

Não importa, eu vou encontrar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para você, também
Não me esqueça, eu imploro, eu lembro do que você disse:
Às vezes, o amor dura
Mas, às vezes em vez disso ele machuca
Às vezes, o amor dura
Mas, às vezes em vez disso ele machuca

Você deveria saber como o tempo voa
Apenas ontem foi o melhor tempo das nossas vidas
Nascemos e nos criamos numa neblina de verão
Unidos pela surpresa dos nossos dias de glória

Eu odeio aparecer do nada, sem ser convidada
Mas eu não pude ficar longe, não consegui evitar
Eu tinha esperança de que você veria meu rosto e que você se lembraria
De que pra mim, não acabou

Não faz mal, eu vou encontrar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para você também
Não me esqueça, eu imploro, eu lembro do que você disse:
Às vezes, o amor dura
Mas, às vezes em vez disso ele machuca

Nada se compara, não se preocupe ou se importe
Arrependimentos e erros são produzidos pelas lembranças
Quem poderia adivinhar o gosto amargo-doce que isso teria?

Não faz mal, eu vou encontrar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para você também
Não me esqueça, eu imploro, eu lembro do que você disse:
Às vezes, o amor dura
Mas, às vezes em vez disso ele machuca

Não faz mal, eu vou encontrar alguém como você
Não desejo nada além do melhor para você também
Não me esqueça, eu imploro, eu lembro do que você disse:
Às vezes, o amor dura
Mas, às vezes em vez disso ele machuca
Às vezes, o amor dura
Mas, às vezes em vez disso ele machuca

domingo, 12 de maio de 2013

Adele - Set Fire To The Rain

A voz de Adele me emociona. Cantando Set Fire To The Rain, mais ainda. Há muito tempo não me encantava tanto com uma voz, com uma música. Estou no meu momento Adele.





Para a(s) minha(s) mãe(s)

Para a minha mãe e para a minha Nana (Nazinha). Deixando aqui a minha homenagem também a todas as mulheres que geraram filhos biológicos, que criam/criaram filhos gerados em outro ventre, assim como para todas aquelas que, mesmo sem gerar, mesmo sem criar, carregam no íntimo o amor materno e o oferece a todos(as) que encontram a sua frente, ao seu lado (sobrinhos, irmãos, pais, maridos, amigos, natureza). E também para todos os homens que cumprem a função não apenas de pais, mas também de mães, no cuidado aos filhos que porventura tenham criado sozinhos. O poema de Teresa Horta é a expressão maior do que vai no meu coração hoje, agora.


Cremilda, minha mãe


Nair (minha Naná, nossa Nazinha)



DIA DA MÃE

Hoje, acordei enrodilhada em mim mesma,
de inquietação,numa mágoa de falta.
Numa queda de abismo

Sem entender, como posso existir sem ti,
minha loura 
Respirar sem o teu cordão umbilical? 
Como posso viver sem o teu desassossego, 
minha Ana Karenina?

Hoje, a rosa que tenho para te dar, é um poema.
Lembraste?

MINHA MÃE MEU AMOR

Respirar-te o sangue
bebendo-te o perfil

bordando-te o perfil

A ponto-pé-de sombra
e de flor

a ponto-pé-de-amor

Respirar-te o mover
bebendo-te o sorrir

bordando-te o sorrir

a ponto-pé-de parto
e de partir

a ponto-pé de-afago
e de flor

Minha mãe
meu amor


Teresa Horta

sábado, 4 de maio de 2013

Sobre o projeto "Brasileiras de Norte a Sul"

Reproduzo aqui o projeto da jornalista Caren Nagashima "Brasileiras do Norte ao Sul" , veiculado no Blog do Portal IG  "Delas" no dia 25/03/2012. O subtítulo da reportagem é "Perfis inspiradores de mulheres urbanas de várias regiões do Brasil", e um desses perfis é o meu. O projeto de Caren ficou muito bonito e eu agradeço pela delicadeza como ela o  encaminhou. Apenas faço uma ressalva: a casa por trás desa foto não é minha. Aliás, essa foto foi tirada na praia de Pipa, e o que se ver por trás de mim são lojas.  Eu também não sou psicóloga. Sou educadora, formada em Letras, atuando na área de formação de professores desde há muitos anos. Fiz Cursos de especialização nas áreas de Fundamentos em Educação e Educação de Jovens e Adultos. Fiz Mestrado em Fundamentos da Educação e doutorado ainda não concluído em Ciências da Educação.Repassei algumas outras informações que não foram veiculadas, como uma que considero essencial colocar aqui: posso dizer que também sou mãe de Amanda, filha do meu segundo marido com quem estou casada há mais de 20 anos e a quem amo de paixão. Amanda é uma linda mulher que tem a mesma idade do meu filho Romero, 33 anos e desde os seus 9 anos compartilhamos muitos momentos lindos em nossas vidas.

Rejane Maria Siqueira Cavalcanti - de Recife-PE


Arquivo pessoal
Rejane, de Recife, Pernambuco, psicóloga, rata de internet e ativa nas redes sociais, vai defender a tese de doutorado na Universidade do Porto, em Portugal
Recife, capital do Pernambuco, é a maior metrópole do Nordeste e a quinta do Brasil. Foi lá que nasceu e vive Rejane Maria Siqueira Cavalcanti, 55 anos. Moradora do bairro da Tamarineira, a professora de psicologia está terminando sua tese de doutorado, foi esposa de um preso político, casou-se com ele na prisão e teve um filho. Sem jamais perder a doçura.
Na casa, espaçosa, vivem ela, o marido, uma tia de 99 anos, a secretária e amiga e seu filho de 13 anos, que Rejane considera ‘filho do coração’. O filho, de 32 anos, não mora mais com essa família cheia de agregados. “Na casa mandamos todos, cada um no seu pedaço, a cozinha, por exemplo, é território sagrado da secretária”, conta.
Rejane é rata de internet assumida, diz que prefere dormir durante o dia e viver a madrugada. Boa parte desse tempo ‘livre’ noturno, ela gasta passeando nas redes sociais, principalmente no Twitter, “para me distrair e acompanhar as notícias”. Concluir a tese de doutorado e defendê-la no Porto, em Portugal, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, é seu projeto para 2012 e parar de fumar é um sonho, ainda não realizado.
“Todas as sextas-feiras tomo um café com minhas primas em uma cafeteria no shopping Alfândega, é meu programa ‘mulherzinha’ favorito, além de fazer compras, claro!”, ela diz. O shopping é um dos programas ‘com cara de Recife’ que ela costuma fazer, além da Livraria Cultura e do Marco Zero, onde se realizam muitos shows. Na praia, não vai muito, embora acredite que ‘nenhum programa é tão democrático’.
É na mesa, talvez, que Rejane revela seu lado mais ‘regional’: “adoro comer de tudo, carne de sol com macaxeira -- o aipim é, provavelmente, a comida mais típica do Pernambuco, você sabe? --, tapioca, cuscuz, queijo de coalho e bolo de rolo”.


domingo, 14 de abril de 2013

O real imaginado

Este blog teve a sua primeira postagem em 23 de abril de 2010. Daqui a alguns dias estará completando 3 anos. Olhando agora todos os posts percebi o quanto aprendi em todos os sentidos ao longo desse tempo. Mas não vou falar sobre isto agora. Estou deixando este comentário apenas para registrar uma coisa que eu nem lembrava mais, a data que comecei a brincar de ser blogueira. Volto aqui depois para contar o que me levou a dar a este blog o nome O real imaginado. Nunca havia visto esse título como nome de blog, de livro, de documentário, de Mostra cinematográfica, entre outras coisas. Preciso fazer mais algumas pesquisas para escrever aqui sobre as minhas motivações, inspirações ou outra coisa qualquer. Enfim porque resolvi chamar o meu blog com o nome que tem desde o seu início. Deixo abaixo algumas imagens e um resumo de um trabalho de antropologia que são uma ponte para a explicação do porque do nome do meu blog.






Ética, investigação e trabalho de campo em Antropologia e na produção audiovisual
José da Silva Ribeiro Universidade Aberta 

Resumo: Há múltiplas analogias entre a Antropologia ou etnologia e cinema.Uma e outro se interrogam sobre a realidade e sobre o que é a realidade e a representação, o ponto de vista, atenção cuidadosa ao detalhe, ao micro social, ao frágil. Não é pois possível separarmos Antropologia e cinema no que se refere à metodologia e ao processo de realização. Ambos partem do real ou do real imaginado, detêm-se no detalhe, baseiam a construção discursiva na observação, na ideia – sobretudo no olhar e no escutar e no ponto de vista, e na montagem. A prática de terreno e a montagem é marcada pelas mesmas questões éticas e políticas. 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O conto de uma suposta revolução (o que viu a menina)

Por Rejane Maria Siqueira Cavalcanti





Tinha, então, 7 anos. Foi no ano de 1964,  no fatídico dia 1 de abril. No grupo escolar a diretora passava nos corredores, entrava nas salas de aula e bradava revolução, revolução. Alunos dispensados, dispersados entre 9 e 10 da manhã. Uma manhã clara, cheia de sol. O que é revolução, pergunta a seu irmão que também estudava na mesma escola; soldados armados, é como uma guerra, responde. Foram para casa, ficava próxima da escola e iam caminhando. Soltaram as bolsas com os materiais escolares e se dirigiram para a casa dos avós, que ficava na avenida, onde moravam muitos tios e tias. Ali, ficaram a brincar na calçada com as crianças da vizinhança e tudo parecia uma festa, carros passavam, pessoas passavam e as crianças, felizes por terem sido dispensadas das aulas, aproveitavam para curtir aquele momento juntas. Havia uma tia, solteira; dedicava aos sobrinhos o amor que não conseguiu dedicar a filhos, porque não os teve. Criava uma delas, já mocinha, que entrará na história adiante. Titia, o que é revolução, perguntava a menina; menina, revolução é tiro, é confusão, ai meu Deus. A tia preocupada com o seu irmão, pai da menina e do menino, e com o outro irmão, pai da sobrinha que criava. Preocupada também com a mãe das duas crianças que brincavam na calçada, os seus sobrinhos mais novos, a menina e o menino. A mãe deles trabalhava como funcionária pública civil em um quartel do exército e havia saído cedinho para o serviço no outro lado da cidade. Não havia celular nesta época, nem computador. As TVs demoravam a dar as notícias, e os rádios, acho que ainda estavam apurando. E assim, esperavam no subúrbio, notícias dos parentes. Mais tarde, quando a mãe chegou, informou que o centro da cidade fervilhava, que tudo estava muito tenso. Fora mandada de volta pra casa quando chegou ao trabalho. Ao se dirigir à parada de seu ônibus para voltar pra casa, não conseguiu passar, e um senhor de meia idade lhe disse, não vá senhora, está muita confusão naquele lado. Era em frente ao Palácio do Governo, a parada, e o exército rodeava tudo, com metralhadoras e canhões apontados para as janelas e portas do Palácio para que o governador não fugisse. Não fugiu, saiu pela porta da frente, mas foi feito prisioneiro e mais tarde enviado para fora do país, como exilado político. Os dois irmãos, pais dos sobrinhos, também haviam passado por situação constrangedora. Um deles era dono de um barracão em um engenho de cana de açúcar, o outro, pai dos dois pequenos, trabalhava para ele. O barracão foi rodeado por camponeses armados com foices, que viam no seu dono a imagem do próprio patrão. Por pouco a tragédia não ocorreu. Os camponeses, que tentavam se rebelar contra o golpe de estado, terminaram deixando-os ir embora.  Havia também outros dois sobrinhos, irmãos entre si, um deles já pai de família. Ambos trabalhavam na Agência Nacional, que foi fechada. O mais velho, tempos depois, teve de sair da cidade porque não conseguia trabalhar. Foi tentar a sorte no sul, onde talvez não fosse perseguido, já que por lá não era conhecido. Levou consigo a mulher e quatro crianças pequenas. O outro primo, o mais novo, militava também no movimento dos estudantes secundaristas e viu, neste dia, colegas serem mortos no centro da cidade. Esta história, a do sobrinho secundarista, irá se prolongar e merece um outro conto. Mas só para dá uma ideia, entrou para a Faculdade aos 18 anos e se tornou militante do movimento estudantil universitário e depois do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Foi para a clandestinidade. O silêncio, os sussurros e o medo passou a reinar nas casas de toda aquela família.








Mas a menina cresceu e aos poucos foi se inteirando das consequências do que havia ocorrido naquele 1º de abril. Não eram mentiras contadas, eram fatos reais que atingiram e perturbaram não só a família da menina, o crescimento da menina, mas de muitas outras meninas e meninos, mães e pais, tios e tias, e de muitos outros jovens, homens e mulheres de muitas outras famílias de todo o Brasil.
A menina cresceu e foi aos poucos sendo informada, dos primos presos (um primo e um prima), inicialmente prisões rápidas, fruto da participação destes no movimento estudantil, especialmente após o famigerado ano de 1968, a partir do mais famigerado ainda Artigo Institucional nº 5 (AI5), que tornou os dias do povo brasileiro, bem mais escuros. E que levou muitos jovens à clandestinidade, à prisão e ao exílio, entre eles os primos da menina. 


O governador Miguel Arraes de Alencar sendo levado preso pelos oficiais do golpe em 1964

Jonas José Albuquerque Barros - estudante secundarista morto no Recife no ano de 1964               


 Ivan Rocha Aguiar - estudante secundarista morto no Recife no dia 1º de abril de 1964

O primo caçado, preso debaixo de balas, torturado e depois vindo a cumprir 9 anos de prisão. A prima que foi para o Araguaia com o marido e de lá para o exílio no Chile e depois no Canadá.
Este conto poderia se prolongar, mas ele termina aqui e depois, quem sabe, inicia de novo, não mais tendo como personagem uma menina, mas uma mulher que participou ativamente do Movimento Nacional pela Anistia, que se casou com o primo preso político e que gerou uma criança dentro da prisão. Que viu o primo/companheiro e seus amigos enfrentarem muitas greves de fome dentro do cárcere. Viu os retratos dos mesmos serem estampados nos jornais da época como terroristas, mas viu especialmente, uma geração de verdadeiros heróis, que de início, para a menina que cresceu e virou uma jovem estudante universitária, eram verdadeiros mitos. Porque sim, esses jovens foram barbaramente torturados, muitos perderam as suas vidas e os seus corpos são até hoje dados como desaparecidos. Para os que lutaram bravamente, de todas as formas, pelo fim da ditadura militar no Brasil, especialmente para os que morreram, estão desaparecidos ou foram presos e torturados, a menina hoje mulher tem o dever de contar e recontar as suas histórias sobre essa época, quantas vezes forem necessárias, “para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”.


Prisioneiros políticos na Penitenciária Barreto Campelo, na Ilha de Itamaracá - dentre eles, o primo da menina



Na verdade, a data deveria ser 1º de Abril de 1964